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PREVENÇÃO Tamanho da letra

Câncer de boca

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Tumores malignos da cavidade oral (boca) ou orofaringe (parte superior da garganta) podem aparecer nos lábios, língua, soalho da boca, parte interna das bochechas, gengivas, pálato mole, pálato duro, região das amídalas e parede posterior da garganta. São tumores que, se diagnosticados precocemente, podem ser tratados e controlados com poucas ou nenhuma seqüela funcional. Por outro lado, o tratamento em fases avançadas deverá deixar maiores seqüelas e exigir maior reabilitação do paciente.

Como a cavidade oral é de fácil acesso, auto-exames são estimulados para prevenção e detecção precoce de câncer da boca. Da mesma maneira, deve-se fazer uma revisão com dentista pelo menos uma vez por ano.

Tabagismo, alcoolismo, trauma crônico (uso de próteses dentárias mal-ajustadas), má higiene oral, má conservação dos dentes, baixo consumo de caroteno e história familiar de câncer são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca.

Atenção especial deve ser dada aos lábios, já que tumores de lábio estão relacionados à exposição crônica ao sol, bastante comum em países tropicais e com atividades rurais, sendo mais comum em pessoas brancas e no lábio inferior.

O câncer na cavidade oral (boca) ou orofaringe (garganta) acomete principalmente tabagistas e/ou etilistas, sendo que a associação das duas atividades aumenta consideravelmente o risco de desenvolvimento da doença. É mais comum em indivíduos do sexo masculino acima de 50 anos.

O principal sintoma deste tipo de câncer é o aparecimento de ferida na boca que não cicatriza em uma ou duas semanas. Essas feridas podem ser superficiais ou mais profundas, indolores no início, podendo sangrar ou não. Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na boca também são suspeitas.

Nos estágios avançados podem surgir dificuldades de fala, mastigação e deglutição; emagrecimento acentuado, dor e nódulos no pescoço.

Na presença de sinais e/ou sintomas suspeitos, deve-se procurar um médico especialista. A avaliação diagnóstica inclui anamnese (história clínica), exame físico, exames complementares e biópsia da lesão. Na maioria das vezes a biópsia de lesões de boca e orofaringe podem ser feitas com anestesia local em ambiente ambulatorial. O diagnóstico definitivo é dado após o exame do material de biópsia. O principal tipo histológico no câncer de boca e orofaringe e o mais associado aos fatores de risco tabagismo/etilismo é o carcinoma espinocelular. Muito mais raramente também podem ser encontrados tumores de glândulas salivares menores (adenocarcinoma), tumores de tecidos conectivos/ósseo (sarcomas) e melanoma.

Após a confirmação diagnóstica será realizado o estadiamento da doença. Nesse estadiamento, através de exames complementares, é quantificada a extensão do tumor no sítio primário (boca/orofaringe), regional (pescoço) e presença de doença sistêmica (outros órgãos).

O tratamento é individualizado e se baseia em características de cada paciente, incluindo local e tipo histológico de tumor, estadiamento, condições clínicas do paciente e possíveis seqüelas funcionais. De uma forma geral, pode-se realizar tratamento cirúrgico, radioterapia, quimioterapia ou associação desses procedimentos.

Como fazer o auto-exame :

O auto-exame da boca deve ser realizado a cada seis meses, em local bem iluminado, diante do espelho. Lave bem a boca e remova próteses dentárias para uma boa observação.

Observe a pele do rosto e do pescoço, prestando atenção se há alguma alteração. Toque com a ponta dos dedos toda a região, especialmente se notou alguma área diferente. Puxe com os dedos, o lábio inferior para baixo, observe e palpe sua parte interna, repetindo a operação com lábio superior.

Com a ponta do dedo indicador, afaste a bochecha para examinar a parte interna da mesma, dos dois lados. Com a ponta do dedo indicador, percorra toda a gengiva superior e inferior. Introduza o dedo indicador por baixo da língua e o polegar da mesma mão por baixo do queixo e procure palpar todo o assoalho da boca.

Incline a cabeça para trás e abrindo a boca o máximo possível, examine atentamente o céu da boca. Em seguida diga ÁÁÁÁ... e observe o fundo da garganta. Observe e apalpe a parte de cima da língua, bem como suas laterais.

Examine o pescoço, comparando os lados direito e esquerdo. Veja se existem caroços ou áreas endurecidas. Devem ser observados sinais como mudança na cor da pele e mucosas, endurecimentos, caroços, feridas, inchaços, áreas dormentes, dentes quebrados ou amolecidos e úlcera rasa, indolor e avermelhada, placas esbranquiçadas.

Como prevenir o câncer de boca:
O combate ao tabagismo é um dos pontos mais importantes na prevenção deste tipo de câncer. Deve-se:

  1. evitar o fumo e o álcool;
  2. evitar exposição continuada aos raios solares;
  3. utilizar protetor labial, chapéus quando exposto ao sol por longos períodos;
  4. evitar traumas crônicos na mucosa bucal, tais como: prótese mal adaptada, coroas dentais fraturadas, raízes residuais;
  5. manter higiene adequada, escovando os dentes 4 vezes ao dia, principalmente após a ingestão de alimento e fazer uso do fio dental
  6.  fazer o auto-exame da boca cada 6 meses
  7. procurar seu Dentista ou Médico em caso de aparecimento de qualquer lesão que não regrida no espaço de 14 dias.

Com esses cuidados, além de prevenir o câncer de boca, você também estará colaborando para um estilo de vida mais saudável.

Dra. Allisson Monteiro da Silva Valentim
Cirurgiã de Cabeça e Pescoço e Cirurgiã Oncológica
Data: 01 de maio de 2009

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